Pega Monstro + Putas Bêbedas


Está perfeitamente claro para que nós que o disco que aà vem das Pega Monstro, duo de Maria e Júlia Reis é muito provavelmente o melhor álbum de pop-rock da história da música nacional. Vamos escrever mais alongadamente sobre esta obra-prima produzida com brilhantismo por B Fachada daqui por umas semanas, e até lá não vale a pena gastar demasiado latim. Preparem-se para não quererem ouvir outra coisa durante meses (pelo menos).
Na primeira parte do lançamento do álbum das Pega, o trio sentimentalista delinquente Putas Bêbedas abre as hostilidades desta cerimónia a favor da beatificação de todo o elenco Cafetra.
Bandcamp http://pegamonstro.bandcamp.com
Editora http://cafetrarecords.blogspot.com
VÃdeo ao vivo no Milhões de Festa http://www.youtube.com/watch?v=efXU6gHQw5s&feature
Facebook http://pt-br.facebook.com/pages/Putas-B%C3%AAbadas/194149377273858
VÃdeo ao vivo na Severa http://www.youtube.com/watch?v=S7zMhbtIano
Bilhetes disponÃveis nas lojas Flur e Matéria Prima (Lisboa)
Éme + Smiley Face + FÚ dj set


Dois escritores de canções de excepção do fulminante acampamento Cafetra, numa double-bill da grande canção nacional adolescente. O Éme vai até aqui ruminando destaques de momentos de grande impacto e densidade emocionais, assistindo à trivialidade com transcedência e com olhos a brilhar para o novo e o complexo - a forteleza no delicado sempre teve grande charme. Smiley Face faz haikus DIY sobre absolutos do mundano, do metafÃsico e do filosófico, a caminhar entre o abismo existencial como quem fica no sofá a vegetar e malhar Doritos. Meio inacreditável que isto exista, e duas poderosas razões para ajudar a justificar esta Lisboa cada dia mais irrepetÃvel.
Bandcamp http://oeme.bandcamp.com
Editora http://cafetrarecords.blogspot.com
Entrevista http://www1.ionline.pt/conteudo/138447-cafetra-records-para-todos-os-efeitos-somos-putos-fazer-musica
VÃdeo ao vivo no Clube Setubalense http://www.youtube.com/watch?v=uwHfPfabkgE
Tumblr http://stupidbones.tumblr.com
VÃdeo teaser para ‘Desgarradas D’amor..’ http://www.youtube.com/watch?v=tpvFveiMORc
Smiley Face no Clube da Palavra do Canal Q http://videos.sapo.pt/J8bTlGcbUUiOQV3az8vA
Joe McPhee Survival Unit III

Nascido em Miami em 1939 e trompetista desde os 8 anos de idade, Joe McPhee é um verdadeiro testamento vivo, ainda bem no pico (crescente!) das suas capacidades, do que pode ser o jazz hoje, reflectindo com o poder da coerência e da honestidade, uma parte do que continua a poder ser feito com esse fascinante e riquÃssimo vocabulário e tradição, e que tantas vezes é brutalizado ao ponto do esquecimento ou da mediocridade.
Multi-instrumentista em todo o tipo de saxofones, clarinete, trombone e piano, é a partir de finais dos anos 1960 que arranca para a música que o começou a definir enquanto artista. Influenciado por Coltrane, Ayler e Ornette (figura essencial no arranque do seu percurso), Joe McPhee é um dos mais relevantes espÃritos livres e transgressores da forma e do vocabulário do jazz e de áreas que ele mesmo ajudou a tornar adjacentes. Colaborando desde cedo com músicos com preocupações estéticas e espirituais semelhantes, em direcção ao desconhecido e ao vibrante, trabalhou com a nata do jazz mais esclarecido norte-americano e europeu, assim como com a vanguarda da música electrónica dos anos de 1970, da Deep Listening Band de Pauline Oliveros, até aos seus álbuns fabulosos nessa mesma década com John Snyder para sopros e sintetizador.
O currÃculo de McPhee conta com mais de meia centena de álbuns, entre os quais muita obra em seu nome próprio na editora HatHut, fundada precisamente para lançar a sua música. Trabalhou com uma lista interminável de artistas seminais da música das últimas quatro décadas, destacando-se trabalho regular com Evan Parker, Jimmy Giuffre, Peter Brötzmann, Dominic Duval, Raymond Boni ou Chris Corsano.
Esta terceira encarnação da sua Survival Unit, tÃtulo de formação cujo inÃcio remonta ao final dos 60s/inÃcio dos 70s, vê McPhee acompanhado por dois músicos fabulosos com muita história em Chicago na última vintena de anos (aproximadamente), nas pessoas de Fred Lonberg-Holm (violoncelo) e Michael Zerang (bateria). A Survival Unit tem sido, efectivamente, a sua working band (o ofÃcio da sobrevivência, para bom entendedor), e plataforma de criação e expressão sem rodeios do \\\\\\\"real assunto sério\\\\\\\". Música sem cosmética, feita de uma vida a seguir o caminho da boa tradição, do som, da frase, da ordem e da luz, no meio da escuridão do inaudito.
Site oficial http://www.joemcphee.com
VÃdeo ao vivo http://youtu.be/jbTZC8LB7aA
Bilhetes disponÃveis nas lojas Flur e Matéria Prima (Lisboa)
Blues Control + Laraaji & Arji

Encontro cósmico de músicos da mais fina estampa para périplo europeu selecto de concertos, que os traz ao sótão da Kolovrat a Lisboa (e ao CCVF em Guimarães, um dia depois), na senda do lançamento no ano passado do celebrado Vol. 8, que os reuniu em disco, da série FRKWYS da editora nova-iorquina RVNG. Esta discográfica é afamada por desafiar e promover discos colaborativos de músicos que se desconheciam a nÃvel pessoal até então, mas notoriamente ligados por laços estéticos latentes comuns. Após o convite lançado à banda Blues Control pela editora, cedo surgiu o nome de Laraaji como eventual par a contactar para discussão de ideias e consequente reunião em estúdio. Laraaji (n. Edward Larry Gordon, em 1943) é uma referência marcante no imaginário inicial dos Blues Control, bem como de outros cabecilhas do underground norte-americano que entretanto emergiram (Emeralds, OPN, assim à cabeça) que ainda há pouco tempo saciavam com avidez o seu fascÃnio sobre o passado da música psicadélica do ramo New Age, e cedo se aperceberam do catálogo passado de Laraaji. Para muitos, Laraaji é reconhecido pelo seu impressionante disco de 1980 ‘Ambient 3: Day of Radiance’, gravado com Brian Eno para a sua série ‘Ambient’ após o britânico o ter ‘descoberto’ a tocar na rua, no qual amplificava a um público mais alargado a sua apropriação da ‘zither’, instrumento acústico de cordas oriundo da Europa de Leste, alimentada pela sua pesquisa pessoal e entendimento de culturas mÃsticas orientais. O disco proporcionou-lhe uma elevada atribuição de valor no mercado do género ‘ambient’ então a florescer, apesar de um disco que o precede como ‘Celestial Vibration’ (reeditado entretanto pela Soul Jazz) ou o intitulado ‘Essence / Universe’ de 1987, transcenderem qualquer tipo de etiquetas, práticas esotéricas com incenso manhoso ou sessões de tratamento com cristais, no seu impacto e alcance no objectivo de lançar os seus ouvintes para um outro plano de consciência.
O disco que então os Blues Control e Laraaji, mais ainda a sua ‘amiga musical’ inseparável Arji, nos legaram e que agora vêm promover, assombra pelo universo conjurado ao longo das suas 4 longas faixas (+2 bónus), que primam por uma dimensão de entrosamento e fluidez de processos e discurso verdadeiramente notável, contribuindo para um resultado final misteriosamente arrebatador. Um portento de intimidade de escolhas e caminhos, que ao vivo vêm mostrar-nos como se ilumina a olho nu.
Myspace http://www.myspace.com/bluescontrol
Blog oficial http://laraaji.blogspot.com
Editora http://igetrvng.com/discography/113/
Entrevista http://blogs.philadelphiaweekly.com/music/2011/11/11/qa-blues-controls-russ-waterhouse-talks-laraaji-new-age-music-and-the-importance-of-laughter/
Bilhetes disponÃveis nas lojas Flur e Matéria Prima (Lisboa)
Michael Hurley

Cantor absolutamente crucial da canção norte-americano, dá ideia que já fez tudo o que havia para fazer na vida mas a estrada segue infinita – são assim os bravos. Editou a sua estreia ‘First Songs’ pela monumental Folkways (onde nem Bob Dylan entrou), fez clássicos em todas as décadas desde aÃ, passando por ‘Armchairboogie’ (Cat Power fez 3 versões deste álbum), ‘Hi-Fi Snock Uptown’, até ao recente ‘Blue Hills’ (Mississipi Records, 2010). Andou na estrada e na noite com os Unholy Modal Rounders, com quem gravou o icónico ‘Have Moicy!’, álbum que Jagger e Richards disseram tratar-se de um dos discos cruciais dos anos 70; casou-se muitas vezes, e parece ter uma quantidade variável de filhos a cada vez que lhe falamos. Desenhador cartoonista mestre, tem um ideário de ilustração que está em todas as suas capas, e que adensa ao universo maravilhoso da sua vida, da sua solidão, bonomia e espÃrito invencÃvel. À medida que os anos passam a sua mestreia na guitarra, o seu saber dar concertos de uma vida uns atrás dos outros, onde o ridÃculo e o sublime se sucedem e confundem em radiância, tornam incontornável o facto de que estamos perante essa raridade de uma lenda viva, no topo de uma impossÃvel lucidez, visão e arrojo aos 71 anos. 71 anos. Morrer gostando de música sem um dia nunca se ter visto Hurley a uivar para a lua é triste demais. Vivam felizes.
Site oficial http://www.snockonews.net
Myspace http://www.myspace.com/snock07
Editora http://www.gnomonsong.com/michaelhurley/
VÃdeo 'the rue of ruby whores' http://www.youtube.com/watch?v=gL6_pMdMhlQ
Bilhetes disponÃveis nas lojas Flur e Matéria Prima (Lisboa)
The Strange Boys + 100 leio


PotentÃssima máquina de soul e blues via Rimbaud (como o quis a tia Patti), os Strange Boys de 2012 têm já três discos para trás, e nesta instância cavalgam até Lisboa no seu chariot texano com um fantástico álbum de canções editado no ano passado. Só o single de abertura "Me and You" servia para entrar - ainda mais adentro - nos cânones do que se pode fazer hoje com a energia do rock e com a força da verdade benigna (para todos, para todos), partindo para todas as lutas (tinha que ser) com um riquÃssimo conhecimento da música norte-americana de bares de beira da estrada, manifestações em massa por mundos melhores, Carnegie Halls e um impressionante número de noites atiradas ao ar a pensar no amor (ou a pragmaticamente tratar do assunto). Ryan Sambol é um grande da sua geração, e da última vez que os tivemos por cá foi show à séria. Desta vez ainda vai ser melhor. Confiem.
Primeira parte com pontos de interrogação radioactivos de algum do melhor teen angst poético-escatológico que já ouvimos, cortesia de um Ãcone Cafetra - f*****' 100 Leio. Basta verificar o Bandcamp do campeão e ouvir a estreia 'Enganei-me e Fui Para Casa' para entender que estamos aqui a lidar com clássicos lisboetas instantâneos de canção eléctrica de quarto de dormir. Desde o combo guitarra raio de sol + bateria Moe Tucker à 'You Walk Alone' do Jandek de "1 Conto de Mofino", ao barbárico anti-hino stoner "Edson Mandela", 100 Leio é um garante de positiva e radiante insuportabilidade para arrancar com real dignidade esta noite de cantautores carismáticos.
Site oficial http://strange-boys.com
Editora http://www.roughtraderecords.com/strangeboys
VÃdeo ‘Me and You’ http://www.youtube.com/watch?v=G2KRB30HVX4
Bandcamp http://100leio.bandcamp.com
Editora http://cafetrarecords.blogspot.com
Video ao vivo no Liceu Camões http://www.youtube.com/watch?v=Pm3zile84Pg&feature
Bilhetes disponÃveis na Blueticket em http://blueticket.pt/site/EventoDetalhe.aspx?ecomm=1&eventoId=1360&idiomaid=1&op=0